sexta-feira, 30 de maio de 2008

frase do dia

Chi mangia solo crepa solo.

Tradução: "Aquele que come sozinho morre sozinho."

frase do dia


Bier-Himmel
Originally uploaded by thomasstache
"No paraíso não há cerveja, por isso a bebemos aqui mesmo"
- Im Himmel gibt's kein Bier, d'rum trinken wir es hier.

(provérbio alemão)

quinta-feira, 29 de maio de 2008

doce de mocotó



... mocoforte.

achei no supermercado dalben. tive de comprar, porquer recordar também é viver!

pergunta para se fazer na hora de...

...comprar sua máquina de escrever:



o número 1 é o "l" minúsculo, o zero é o "o" maiúsculo. e o ponto de exclamação, como faço?

frase do dia

"piada é só uma reorganização autoral das circunstâncias."
- leandro quintanilha

Link: A graça da vida

terça-feira, 27 de maio de 2008

vista da janela



janela da frente do laboratório onde trabalho.

o ipê-rosa florido é um presente para esses dias de outono...

Vocë é Hands On?

o texto não é novo, mas faz todo sentido para mim neste momento.
divido aqui com vocês, mis amigos.


Vi um anúncio de emprego. A vaga era de Gestor de Atendimento Interno, nome que agora se dá à Seção de Serviços Gerais. E a empresa exigia que os interessados possuíssem - sem contar a formação superior - liderança, criatividade, energia, ambição, conhecimentos de informática, fluência em inglês e não bastasse tudo isso, ainda fossem HANDS ON.

Para o felizardo que conseguisse convencer o entrevistador de que possuía essa variada gama de habilidades, o salário era de 800 reais. Ou seja, nenhuma fábula...

Não que esse fosse algum exemplo fora da realidade. Ao contrário, é quase o paradigma dos anúncios de emprego. A abundância de candidatos permite que as empresas levantem cada vez mais a altura da barra que o postulante terá de saltar para ser admitido. E muitos, de fato, saltam. E se empolgam. E aí vêm as agruras da super-qualificação, que é uma espécie do lado avesso do efeito pitico...

Vamos supor que, após uma duríssima competição com outros candidatos tão bem preparados quanto ela, a Fabiana conseguisse ser admitida como gestora de atendimento interno.. E um de seus primeiros clientes fosse o seu Borges,
Gerente da Contabilidade.

Seu Borges: -- Fabiana, eu quero três cópias deste relatório.
Fabiana: -- In a hurry!
Seu Borges: -- Ãh??!!
Fabiana: -- Seu Borges, isso quer dizer 'bem rapidinho'. É que eu tenho
fluência em inglês. Aliás, desculpe perguntar, mas por que a empresa exige
fluência em inglês se aqui só se fala português?
Seu Borges: -- E eu sei lá? Dá para você tirar logo as cópias?
Fabiana: -- O senhor não prefere que eu digitalize o relatório? Porque eu
tenho profundos conhecimentos de informática.
Seu Borges: -- Não, não.. Cópias normais mesmo.
Fabiana: -- Certo. Mas eu não poderia deixar de mencionar minha
criatividade. Eu já comecei a desenvolver um projeto pessoal visando
eliminar 30% das cópias que tiramos.
Seu Borges: -- Fabiana, desse jeito não vai Dar!
Fabiana: -- E eu não sei? Preciso urgentemente de uma auxiliar.
Seu Borges: -- Como assim???
Fabiana: -- É que eu sou líder, e não tenho ninguém para liderar. E
considero isso um desperdício do meu potencial energético.
Seu Borges: -- Olha, neste momento, eu só preciso das três cópias.
Fabiana: -- Com certeza. Mas antes vamos discutir meu futuro...
Seu Borges: -- Futuro? Que futuro?
Fabiana: -- É que eu sou ambiciosa. Já faz dois dias que eu estou aqui e
ainda não aconteceu nada.
Seu Borges: -- Fabiana, eu estou aqui há 18 anos e também não me aconteceu
nada!
Fabiana: -- Sei. Mas o senhor é hands on?
Seu Borges: -- Hã?
Fabiana: -- Hands on.... Mão na massa.
Seu Borges: -- Claro que sou!
Fabiana: -- Então o senhor mesmo tira as cópias. E agora com licença que eu
vou sair por aí explorando minhas potencialidades.
Foi o que me prometeram quando eu fui contratada.

Então, o mercado de trabalho está ficando dividido em duas facções:

1 - Uma, cada vez maior, é a dos que não conseguem boas vagas porque não
têm as qualificações requeridas.

2 - E o outro grupo, pequeno, mas crescente, é o dos que são admitidos
porque possuem todas as competências exigidas nos anúncios, mas não poderão
usar nem metade delas, porque, no fundo, a função não precisava delas.

Alguém ponderará - com justa razão - que a empresa está de olho no longo prazo: sendo portador de tantos talentos, o funcionário poderá ir sendo preparado para assumir responsabilidades cada vez maiores.

Em uma empresa em que trabalhei, nós caímos nessa armadilha. Admitimos um montão de gente superqualificada. E as conversas ficaram de tão alto nível que um visitante desavisado confundiria nossa salinha do café com a Fundação Alfred Nobel.

Pessoas superqualificadas não resolvem simples problemas!
Um dia um grupo de marketing e finanças foi visitar uma de nossas fábricas e
no meio da estrada, a van da empresa pifou. Como isso foi antes do advento do milagre do celular, o jeito era confiar no especialista, o Cleto, motorista da van.
E aí todos descobriram que o Cleto falava inglês, tinha informática e energia e criatividade e estava fazendo pós-graduação.. ... só que não sabia nem abrir o capô.

Duas horas depois, quando o pessoal ainda estava tentando destrinchar o manual do proprietário, passou um sujeito de bicicleta. Para horror de todos, ele falava 'nóis vai' e coisas do gênero. Mas, em 2 minutos, para espanto geral, botou a van para funcionar. Deram-lhe uns trocados, e ele foi embora feliz da vida.

Aquele ciclista anônimo era o protótipo do funcionário para quem as Empresas modernas torcem o nariz: o que é capaz de resolver, mas não de impressionar.

- Max Gehringer

24 mentiras por dia


aparentemente, é o que dizemos, de acordo com uma pesquisa da Universidade do Sul da Califórnia.

quando fui pesquisar a respeito, encontrei este artigo, que fala sobre mitomania. transcrevo um trecho abaixo:

"Há as mentiras do cotidiano das quais ninguém está livre de contar ou de ouvir. Um estudo científico norte-americano, desenvolvido pelo psicólogo Gerald Jellison, da Universidade do Sul da Califórnia, assegura que acessamos cerca de 200 mentiras por dia, seja ouvindo, lendo ou assistindo. Exclua-se aí o período eleitoral, quando, segundo ele, a quantidade é duplicada. Jellison vai mais longe. Em geral, todos contamos entre uma e duas dúzias de mentiras diariamente, desde aquele comentário sobre o novo visual da colega de trabalho até a desculpa para não comparecer a um jantar de amigos. “São mentiras aceitáveis para a convivência, funcionam como apaziguadores sociais”, avalia Luis Falivene."

e você, quantas mentiras contou hoje?

Link: A doença da mentira

domingo, 25 de maio de 2008

frase do dia - 22/05/2008 gmail

"Um estudo recente conduzido pela Universidade Federal mostrou que cada
brasileiro caminha na media 1.440 km por ano.

Outro estudo feito pela Associação Medica Brasileira mostrou que na media o
brasileiro toma 86 litros de cerveja por ano.

Isso significa que na media, o Brasileiro faz 16,7 km por litro.

Isso me deixa muito orgulhoso de ser Brasileiro !!!"

domingo, 18 de maio de 2008

comida para engenheiros

Have an analytical mind? Like to cook? This is the site to read!

essa é a idéia de cooking for engineers (de michael chu): os melhores recipe cards para engenheiros de todos os tempos. passe lá, e dê uma olhadinha...

Link: Cooking for engineers

terça-feira, 13 de maio de 2008

Fast Food Fina é só Gourmeca

estava procurando um trabalho sobre cheddar no meu gmail, e reencontrei este texto. muito bom!

aproveitem o site ... mixirica. eu mesma a-d-o-r-o!!

Fast Food Fina é só 'Gourmeca'
Por Lore Sjöberg 09, Ago, 2006

Eu moro em Berkley, na Califórnia, uma cidade que se dedica tanto à comida gourmet que se você quisesse achar um queijo artesanal feito do leite de uma cabra alimentada com capim que recebeu massagens shiatsu diárias e mensagens de incentivo de seu coach espiritual, você talvez tivesse que procurar em duas lojas para achar.

Havia um tempo, antes do sushi chegar aos shoppings, do chá verde chegar ao Starbucks e do Iron Chef chegar à TV, que isso era considerado peculiar.

O que é uma rúcula e por que custa muito mais que o bom e velho pé de alface? Berkeley tem orgulho de ser peculiar, então tudo bem.

Mas as coisas têm mudado, como elas sempre fazem. Eu não vou com frequência ao Sizzler, mas tenho quase certeza que eles não costumavam ter baby espinafre e suflê de gorgonzola para acompanhar a alface americana e o cheddar ralado.

As cadeias de pizzarias, depois que descobriram a nova substância pesto, começaram a oferece-la com todos os tipos de combinações psicodélicas envolvendo corações de alcachofra, molho Thai de amendoim, hummus, avelãs torradas e até um pouco daquele queijo de cabra massageada, se você pedir com educação.

Opções sempre são boas, e eu anseio por novas sensações gustativas do mesmo modo quem os pandas anseiam por folhas de bambu, então no começo achei que fosse uma coisa boa. E seria, mas parece que há alguma lei culinária que dita que há um limite de sabores decentes no país e quanto maior o número de lugares servindo, mais parece algo que você comeria em um snack bar da Target.

Croissants começam a parecer bisnaguinhas. Redes de hambúrguer falam de sua carne de "Angus" e "Angus" parece ser Latin para "impossível de distinguir das outras carnes." Os sanduíches começam a vir com pão envolto em coisinhas verdes e pó branco, que poderiam muito bem ser confeti e serragem, pelo que eles adicionam de sabor. Eu tenho uma palavra para as comidas que quer parecer com aquilo que seria servido no aniversário da rainha mas tem gosto de algo que você tem que furar antes de jogar no microondas: Gourmeca.

Eu penso que é por dois motivos que há tanta comida gourmeca hoje em dia. Primeiro, o mainstream sempre prefere que você pegue o desconhecido e faça dele mais, bem, conhecido. As arestas são aparadas. Afrika Bambaataa vira MC Hammer. As roupas usadas e rasgadas de verdade viram moda e passam a ser cuidadosamente pré-usadas e pré-rasgadas. Segundo, comida de qualidade geralmente é cara. Ervas-frescas custam dinheiro e farinha branca é barata, e mudar o "cheeseburger" para "gourmet deluxe burger du fromage" no menu não custa quase nada.

Minha solução, pois obviamente o mundo está me transformando em um benfeitor da cultura culinária, é deixar a comida ser o que ela é. Eu amo queijos estranhos. Tenho lá embaixo um queijo de cabra que pode ter sofrido ou não shiatsu, mas tem sua crosta lavada. Foi feito há milhas de distância e é uma coisa maravilhosa, mas eu não espero que a Yum Brands faça uma gordita com ele sem cobrar mais do que eu estou disposto a pagar por fast food pseudo-mexicano.

Tem muita comida boa e barata por aí. Hambúrgueres e costelinhas podes ser maravilhosos em qualquer lojinha de família com preço baixo, se você sabe onde ir. É muito difícil estragar um cachorro-quente, a não ser que você tente algo estúpido, como fazê-lo saudável. E, pelo amor de Deus, não tente fazer os sanduiches da sua rede nacional de restaurantes virarem comida gourmet, apenas se esforçe pra fazer com que fiquem bons.

Tradução do texto "Fine Fast Food Is Just 'Gourmeh'"
De Lore Sjöberg| Publicado em 09, agosto 2006 na Wired News

Link: Mixirica
Wired News - "Fine Fast Food Is Just 'Gourmeh'"

quinta-feira, 8 de maio de 2008

numeração dos sapatos

para a renata, que me pediu explicações a respeito de coisas sobre as quais eu discursava sem certeza...

Link: A cevada e o sapato

sistema métrico universal

faz 218 anos!

"Em 8/5 de 1790 foi criado o Sistema métrico que usamos hoje. Pouco depois da queda da Bastilha, mas antes do Rei Luis XVI ser decapitado.

A França na época usava um sistema baseado em polegadas e pés, mas era incompatível com o inglês; Era 6,6% maior.

O "metro" começou como a distância percorrida por um pêndulo cujo balanço durasse um segundo. Interessante, mas difícil de imaginar ou replicar..."

texto completo em Don´t talk to me about life

Link: May 8, 1790: Liberté! Egalité! Métriqué!

breve exercício de metalinguagem

(achei muito bonitinho, não pude evitar de guardá-lo aqui)



- Já notou como um texto escrito com diálogos chama muito mais a atenção do leitor?

- É verdade! Enquanto um texto corrido normalmente seria deixado para ser lido depois, um diálogo quase sempre é lido na primeira vez que se bate o olho.

- Principalmente se o diálogo for
com frases curtas.

- É.

- Bem curtas.

- Sim.

- E mesmo que o diálogo fique mais longo…

- E se estenda…

- E se prolongue mesmo. A tendência do leitor é continuar a leitura até o final.

- Agora, já percebeu também como está cada vez mais comum usar aspas ao invés do travessão?

“É verdade. É a influência da literatura americana e inglesa.”

“Já li textos escritos em português por brasileiros usando as aspas. Por que não o bom e velho travessão?”

- Ah, mas eu também prefiro o travessão.

- Eu também. Sem dúvida.

- É isso. Bom, a gente se encontra por aí.

- Abração, falou!

- Falou!

E se afastaram um do outro, pensando o quanto era inútil o último parágrafo em texto corrido que não acrescentava nada ao que já foi dito anteriormente.

in Meandros

Link: Zoo bizarro

quarta-feira, 7 de maio de 2008

sonho realizado



sabe quando você sonha uma coisa, e ela vira realidade?

então, ontem à noite eu fui até o supermercado, e não é que eu encontro um sonho em forma de potinho, na geladeira junto aos iogurtes? digo, potão.




a danone, na contra-mão das guloseimas que só reduzem o tamanho das embalagens (fandangos, barra de chocolate, biscoito recheado...), trouxe para o mercado um danoninho gigante, de 100 g, para crianças gulosas, ou crianças que já cresceram, mas não perderam o gosto de infância, como eu!

domingo, 4 de maio de 2008

carta aos nascidos em maio

Amigos e amigas que nascestes em maio:

Estas letras e este autor aqui estão simplesmente para se integrarem na poesia dessa circunstância e avivá-la em vós, se acaso vai murchando, como sugeri-la a todos os outros seres, infortunados seres que nasceram em março, em junho, em novembro. Porque vosso nascimento é pura canção, mesmo que sejais economistas, deputados, capitães-de-corveta.

Uma predestinação lírica presidiu a vosso berço, e que tenhais enveredado por um caminho prático, onde a palavra maio significa apenas assembléia-geral de uma companhia de produtos químicos, não tem a menor importância: estais marcados de maio, carregais convosco, no canal de vossas veias, invisível, incapturável, imperturbável e aliciante, o princípio de maio. E ele jamais permitirá que vos tomem por um simples homem de outubro, e na vossa miúda e radiante biografia há de sempre insinuar a nota íntima, cristalina e melodiosa, de um pequeno acidente feliz, individualizadora do destino humano. Maio sois e maio continuareis.

O uso grosseiro de vossa vida não lhe corromperá de todo a limpidez original; se um dia matardes, se vos venderdes à política, se vos tornardes a vergonha de vossa pátria, ainda assim o lado maio de vossa fisionomia continuará indelével, e fará com que se murmure: "Coitado! apesar de tudo, nasceu em maio."

E tu nasceste em maio – assinala o poeta ao fim do canto em que celebra o mês especial, assim como aquele que se inclinou diante do recém-nascido marcado pelos deuses, afiançando: Tu Marcellus eris.

Por que? Decerto não sabeis bem porque, mas sentimentalmente o apreendeis, e, homem ou mulher, os nascidos em maio caminham ao peso de uma carga suave – uma andorinha não pesaria menos - , que é o pressentimento, a intuição de participarem de um segredo atmosférico, pois ele está gravado, em hieróglifos, no ar, e no vento perpassa.

"Nós os de maio..." – tendes o direito de sublimar, em face da miserável situação de nós outros, os do resto do ano (exceto os da segunda quinzena de dezembro, é claro!). E aqui ouso afirmar que vosso segredo é meio-pagão, meio–religioso, de tal modo as coisas se baralham no mundo, e os mistérios se prolongam e se entrelaçam.
Porque há em maio dois meses: o mês de Maria, e o mês de maio propriamente dito. Se sois cristãos romanos, maio bate sinos na vossa infância ou na vossa madureza, e aspirais o incenso, entoais o Janua Coeli, Turriss Eburnea e não sei que mais invocações encantatórias, e vos ajoelhais, e assistis à coroação da Virgem, se não a coroais vós mesmos, com a mão antiga e branca que nasce de súbito na ponta de vossos braços adultos.

Mas, se não sois cristãos, não faz mal, maio ainda é festa, e festa sempre, desde o velho mundo latino, que o consagrava a Apolo e lhe punha à cabeça uma cesta de flores. Apolo, flores, fim do cruel inverno, irradiação da primavera, procissão de palmas verdes, enfeites de casa com verde, tudo verde, verde, verde, e esse ramo florido e enguirlandado que na Idade Média o amigo ia plantar à porta da casa do amigo, a 1º de maio, e que se chamava maio, e que sugere ao meu austero dicionarista Caldas Aulette esta expressão para definir um sujeito todo enfeitado: "Parecia mesmo um maio". Como sugeriu a Camões, em momento de ternura, o doce verso: Só para meu amor é sempre MAYO.

De resto, o segundo maio, o mariano – em que não desfaço, tanto lhe devo eu próprio em evocações e sensações artísticas depositadas no fundo de meu pobre materialismo -, só nasceu mesmo no século XVIII, quando o padre jesuíta Lalomia teve a idéia de transformar paganismo em cristianismo (e muitos de nossos santos, Deus me perdoe, guardam a sombra de divindades ou entidades pagãs, a julgarmos pelo caso de São Sátiro, contado por Anatole France), e dedicou o mês a Nossa Senhora, compondo em 1785 “Il Mese de Maggio consacrato alle gloria della gran Madre de Dio”.

Maio cristianizou-se, porém muito de sua magia continua ligada ao reverdecimento espontâneo das árvores, ao desatar das águas presas durante 89 dias e 2 horas, na deliciosa falsa contagem dos meteorologistas, às expansões da terra que penetrou em um novo ciclo e aconselha bichos, gentes e plantas a que amem, amem desbragadamente.

Não estou delirando, ó criaturas de maio. Tudo isto se passa em outro hemisfério, mas também por estas bandas austrais maio é primavera, senão na natureza, pelo menos em estado de espírito, em concordância íntima de valores, em consubstanciações vaporosas de que cada um de nós adquire a fórmula, a qual, ó eleitos, nem sequer precisais aprender, pois a recebestes com o primeiro vagido.

Concordo, sem repugnância, em que o nosso mês de maio cai no fim do outono. Custa-me pouco aceitar o outono brasileiro, se o vejo, como aqui no Rio, de um azul diáfano, arrepiado por um friozinho que enxuga e perfuma o suor das coisas, tristes coisas urbanas usadas pelo sol do trópico, e por ele restituídas à sua prístina pureza.

Não há tempo mais leve, caricioso, humano e coloquial do que este maio carioca, revestido ou não de prestígio mundano, porque sorri tanto aos freqüentadores de concertos como aos homens sentados em bancos de jardim público, ao passageiro do bonde Freguesia, ao remador, à datilógrafa do Serviço de Proteção aos Índios, ao médico do Pronto-Socorro, ao senador Melo Viana, aos meninos da Escola Cócio Barcelos, aos pedreiros construindo edifícios, à massa palpitante de uma cidade feita de subúrbios que transbordam até à Avenida Rio Branco: maio dá para todos, reparte-se amorosamente entre homens sofredores e homens de boas roupas, como uma conciliação meteorológica, um arco-íris pairando sobre as contradições da cidade.

Se bem que, de coração, ele se volte mais, num enternecimento cúmplice, para aquela parte do povo que sua no rude batente, e a que é dedicado, desde de 1890, o seu dia inaugural (1º de maio). Mês de Nossa Senhora coroada de rosas, e de operários que morrem pela causa de oito horas de trabalho no mundo, frio mês das montanhas mineiras, nostalgia de namoradas e rezas, cartuchos de amêndoas que a Irmã trazia da coroação na matriz, que era um grande navio iluminado, conversas no adro, à espera do leilão de prendas, vagos estremecimentos de poesia, formas infantis de um sonho que mais tarde seria inquietação e carinho franjado de ironia – tudo isso vai brotando desta caneta comercial com que escrevo, e baila no ar e me penetra – tudo isso é vosso, é a própria substância de que se tece vossa vida, ó nascidos e bem-aventurados em maio! Para quem esta carta é colocada na mala irreal de uma posta feérica.

- carlos drummond de andrade